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Família Assad

A linhagem musical da família Assad, de Jorge e Ica a Sérgio, Odair, Cito e Badi Assad.

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A linhagem musical da família Assad, de Jorge e Ica a Sérgio, Odair, Cito e Badi Assad. A família Assad ocupa lugar especial na história musical de São João da Boa Vista. Formada pelo casal Jorge Assad Simão Filho, o Jorginho, bandolinista, e Angelina Maria de Oliveira Assad, Dona Ica, cantora, a família deu ao mundo quatro filhos ligados à música: Cito, ritmista; Sérgio e Odair, o consagrado Duo Assad; e Badi Assad, violonista, cantora, percussionista e compositora. Dona Ica nasceu em Andradas, em 1930, e sempre cantou.

Seus admiradores diziam que sua voz, meiga, aguda e afinada, fazia sonhar. Jorginho Assad nasceu em São João da Boa Vista em 1924. Relojoeiro de profissão, começou a tocar por volta dos dezenove anos. Autodidata, curioso e perfeccionista, aprendeu primeiro o cavaquinho, depois o bandolim e, mais tarde, o violão.

Para ele, o ouvido musical era dom de Deus. Em Mococa, onde a família morou por alguns anos, nasceram Sérgio e Odair. Depois, em Ribeirão Preto, o talento dos filhos começou a desabrochar. Tocavam com o pai, foram descobertos por um jornalista do Rio de Janeiro e levados à professora Monina Távora, que havia estudado com Andrés Segóvia.

Tornaram-se seus alunos e, ainda muito jovens, mudaram-se para o Rio de Janeiro. Sérgio chegou a acompanhar Jacó do Bandolim e Eliseth Cardoso. Logo os irmãos conquistaram intercâmbio para estudar em Seattle, nos Estados Unidos. Nas férias em São João, Sérgio começou a compor e a participar de festivais.

Mais tarde, a família voltou para a cidade, no final da década de 1970, quando o Duo Assad já despontava internacionalmente. Badi, ainda adolescente, passou a acompanhar o pai ao violão e iniciou uma trajetória que a levaria ao reconhecimento como instrumentista, cantora e compositora de projeção internacional. Sérgio e Odair consolidaram-se como um dos grandes duos de violão do mundo. Embora muito diferentes na interpretação, encontraram juntos uma forma de complementaridade rara.

Sérgio afirmou que ele e o irmão sempre foram complemento um do outro. O sucesso chegou à Europa, aos Estados Unidos e aos grandes palcos. Em 2002, conquistaram o Grammy e o Grammy Latino com a obra de Piazzolla. A família Assad apresentou-se em teatros lotados, diante de plateias exigentes e artistas famosos.

Em Los Angeles, uma crítica chegou a comparar Ica Assad a Billie Holiday. Em Stanford, quando Jorge Assad completou 80 anos, a plateia cantou “Parabéns a Você” em pé. Mesmo com carreiras internacionais, Sérgio, Odair e Badi mantiveram laço afetivo profundo com São João. A família Assad pertence à história cultural de São João da Boa Vista.

Guiomar Novaes nasceu em 28 de fevereiro de 1894, em São João da Boa Vista, décima sétima de uma família de dezenove filhos. Aos quatro anos, em Campinas, onde a família havia se mudado, começou a reproduzir ao piano o que as irmãs mais velhas tocavam. Aprendeu sozinha a ler as notas antes dos sete anos. Seu primeiro professor foi Eugênio Nogueira; depois, em São Paulo, o italiano Luigi Chiaffarelli — que lhe deu base técnica e teórica rigorosa.

Aos treze anos, Guiomar foi aprovada em primeiro lugar numa seleção do governo brasileiro para bolsa de estudos no Conservatório de Paris. Havia 388 candidatos para 11 vagas, das quais apenas duas reservadas a estrangeiros. O júri era formado por Claude Debussy, Gabriel Fauré e Moritz Moszkowski — três dos maiores nomes da música erudita europeia do início do século XX. Que uma menina de treze anos, vinda de uma cidade do interior paulista, tivesse vencido essa seleção foi uma notícia que correu o mundo.

Em Paris, estudou no Conservatório por vários anos. Em 1915, com a Primeira Guerra Mundial fechando os palcos europeus, Guiomar embarcou para os Estados Unidos. Seu debut no Aeolian Hall de Nova York foi um sucesso imediato. Ao longo das seis décadas seguintes, retornou regularmente ao país — ao Carnegie Hall, à Filarmônica de Nova York, às principais salas de concerto.

Em 1951, foi escolhida como solista para o 5. 000º concerto da New York Philharmonic, interpretando o Concerto nº 9 de Mozart e o Concerto nº 2 de Chopin. Sua discografia abrange sessenta anos de gravações, entre 1919 e 1979, feitas para RCA Victor, Duo Art (rolos de piano), Columbia, Vox, London e Vanguard. Inclui concertos de Chopin, Beethoven, Mozart, Schumann e Grieg, além de coleções completas das Études, Noturnas, Prelúdios e Valsas de Chopin.

A vizinha de infância em São Paulo era a família Monteiro Lobato — e diz a tradição que o perfil de Guiomar inspirou a personagem Narizinho. Guiomar voltava a São João da Boa Vista quando podia. Apresentou-se no Theatro Municipal para os conterrâneos. A Semana Guiomar Novaes, que hoje chega à sua 48ª edição, preserva esse laço: mais de 40 atrações gratuitas por ano, público de 12 mil pessoas em 2025, um festival que acontece todo setembro e que transforma a cidade num ponto de referência da música erudita no interior paulista.

Guiomar Novaes faleceu em 7 de março de 1979, em São Paulo. Foi enterrada no Cemitério da Consolação ao som da Marcha Fúnebre da Sinfonia Eroica de Beethoven, executada pela OSESP sob regência de Eleazar de Carvalho. Na plateia do Theatro Municipal, num concerto da Semana Guiomar de algum setembro recente, uma criança de oito anos senta ao lado da avó. Ela nunca tinha ouvido piano ao vivo.

Quando o intérprete começa a tocar — algo de Chopin, lento e cheio de sombra —, a criança para de mexer. Depois do concerto, na saída, a criança pergunta: "Ela nasceu aqui mesmo? A criança olha para o Theatro e não fala mais nada. A Banda Dona Gabriela foi estabelecida em 1938 e toca nas praças de São João desde 1940.

Seu nome homenageia Dona Gabriela — cujo sobrenome e história completa merecem pesquisa própria. A partir de 2005, a banda adotou formação de Big Band, com naipes de saxofones, trompetes, trombones e base rítmica. É uma das raras bandas de coreto do interior paulista que sobreviveu ao século XX e se reinventou no XXI. O Festival Assad — iniciado em 2012 como Semana Assad — celebra a família de músicos sanjoanenses que ganhou o mundo.

As masterclasses, os concertos e as oficinas criaram um espaço de formação musical gratuito e de alto nível. A Orquestra Brasileira Inclusiva, fundada em 2017, usa a música como instrumento de inclusão: suas apresentações reúnem músicos com e sem deficiência, e cada temporada é também um ato político.

A Família Assad liga São João da Boa Vista ao violão brasileiro de circulação internacional. O Festival Assad, criado para celebrar essa tradição, transformou a cidade em palco de música instrumental, encontros, oficinas e apresentações no Theatro Municipal e em espaços públicos. São João da Boa Vista costuma ser lembrada por Guiomar Novaes quando o assunto é música. Mas a história musical da cidade não se encerra no piano erudito nem no passado.

A Família Assad, especialmente por meio de nomes como Sérgio Assad, Odair Assad, Badi Assad e outros integrantes de uma linhagem musical reconhecida internacionalmente, abre outra porta: a do violão, da música instrumental, da circulação contemporânea e dos festivais que transformam a cidade em espaço de encontro entre artistas, estudantes e público. Badi Assad, nascida em São João da Boa Vista em 1966, tornou-se cantora, violonista, percussionista vocal e compositora, com carreira internacional e linguagem própria. Sua trajetória ajuda a mostrar uma São João conectada a circuitos musicais amplos, que passam pelo jazz, pela música brasileira, pelo violão clássico, pela experimentação vocal e pela canção.

O sobrenome Assad, por sua vez, remete a uma família de músicos cuja projeção atravessa fronteiras. O Duo Assad, formado por Sérgio e Odair Assad, consolidou-se como referência mundial do violão. Clarice Assad, Carolina Assad e Badi ampliam essa constelação com composição, voz, piano, percussão corporal e novas formas de criação. O Festival Assad nasce como homenagem e desdobramento dessa história.

As fontes abertas indicam que o evento começou em 2012 e que ocorre em São João da Boa Vista, reunindo música instrumental, concertos, oficinas, masterclasses e apresentações gratuitas. Seu palco principal tem sido o Theatro Municipal, mas a programação também ocupa outros espaços, como o Fonteatro Emílio Caslini, no centro da cidade, e ambientes de formação musical. Essa dimensão é importante: o festival não é apenas espetáculo. Ele também funciona como escola temporária, laboratório de escuta e aproximação entre artistas consagrados, estudantes e público.

No Memória Viva, essa leitura cumpre duas funções. A primeira é organizar a memória musical contemporânea de São João. Muitas páginas históricas tratam de fundação, café, ferrovia, Theatro, escola, igreja e personalidades já consagradas. O Festival Assad mostra que a memória também se faz no presente.

Um festival anual, gratuito, com programação artística e formativa, cria acervo: cartazes, vídeos, fotos, depoimentos, programas, repertórios, oficinas, nomes de músicos, registros de plateia e lembranças de estudantes. Se isso não for guardado agora, será difícil reconstruir depois. A segunda função é evitar que a música instrumental apareça apenas como “evento”. O Festival Assad é narrado como fenômeno urbano.

Quando o Theatro recebe concertos, quando a praça se torna palco, quando estudantes participam de oficinas, quando músicos de fora chegam à cidade, São João atualiza sua tradição cultural. A cidade deixa de ser apenas cenário de lembrança e se torna lugar ativo de produção. Essa é uma virada editorial importante : o projeto não precisa tratar somente do que já acabou. Ele também pode documentar o que está acontecendo e será memória amanhã.

A leitura separa com clareza três camadas. A camada familiar: quem são os Assad, quais integrantes têm ligação com São João e quais trajetórias podem ter verbetes próprios. A camada musical: violão, música instrumental, repertório brasileiro, circulação internacional e formação de público. A camada urbana: Theatro, Fonteatro, praças, oficinas, instituições culturais, turismo, educação musical e presença do público na cidade.

Há ainda uma oportunidade visual muito forte. O Memória Viva já possui fotografias do Theatro Municipal, do Fonteatro e de registros culturais. A leitura convida à inclusão de cartazes de edições do festival, fotos de oficinas, imagens de palco, registros da plateia, retratos autorizados de artistas e mapas dos locais usados. Cada edição pode se tornar uma entrada de linha do tempo.

Cada músico ligado a São João pode ter registro próprio. Cada vídeo pode ser incorporado como documento audiovisual. O tom editorial é elegante e contemporâneo. Não é necessário transformar o texto em propaganda de evento.

O melhor caminho é escrever como acervo cultural: mostrar que o Festival Assad nasce de uma relação afetiva e artística com a cidade, reconhece uma família musical de alcance internacional e cria, em São João da Boa Vista, um espaço de encontro entre memória, formação e invenção.

Tema
Cultura, musica e vida cultural
Personalidades
Família Assad, Sérgio Assad, Odair Assad, Badi Assad

Fontes

Referências usadas para sustentar datas, nomes, lugares e interpretações desta página.

Acervo

Família Assad, uma linhagem musical de São João para o mundo

Acervo

Música: Guiomar, Banda Dona Gabriela, Assad e Orquestra Brasileira Inclusiva