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A Estação Ferroviária de São João da Boa Vista foi o portal de entrada e saída da cidade por décadas. Artistas, políticos, estudantes, turistas a caminho de Poços de Caldas, mercadorias, animais, cartas. tudo passava ali. As recepções mais solenes eram previamente anunciadas nos jornais e contavam com banda musical no Largo da Estação. A história da estação começa antes do edifício principal. Em 14 de janeiro de 1878, a Companhia Mogiana inaugurou uma estação em terras do município para atender os passageiros que se destinavam a São João e a Poços de Caldas. Chamada inicialmente de Estação de Caldas, depois rebatizada de Estação Engenheiro Mendes. em homenagem ao chefe da primeira divisão da Mogiana, Manuel da Silva Mendes —, esse ponto ficou muito comercializado: fortes casas de negócio e escolas se estabeleceram ali. Mas depois de 1886. Com a linha principal chegando ao centro de São João, a Estação Engenheiro Mendes começou a decair. Em 22 de outubro de 1886, o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina chegaram a São João da Boa Vista para a inauguração do Ramal de Caldas da Companhia Mogiana. O ramal, construído pelos irmãos Guilherme e Nicolau Rehder com mão de obra de imigrantes alemães, suecos, dinamarqueses e austríacos, era o trecho mais difícil e oneroso da Mogiana. pelo terreno acidentado entre Águas da Prata e a Cascata. No dia 24 de outubro, D. Pedro II almoçou em São João antes de seguir para Ribeirão Preto. A velha estação central durou décadas sem grandes reformas. Em 1925, a imprensa sanjoanense apontava que o prédio enfeiava a cidade. Em fevereiro de 1934, as obras da nova estação começaram no mesmo terreno da antiga. O armazém. Com 100 metros de extensão, ficou pronto em novembro de 1934. A nova estação propriamente dita, em estilo neoclássico, foi concluída em 1936. Para viabilizar o projeto, foi necessário demolir casas existentes no entorno da praça. Com o declínio do transporte ferroviário ao longo do século XX, a estação perdeu sua função original. O complexo foi transformado em espaço cultural. hoje abriga a Cidade das Artes, o pavilhão da feira livre, a Skate Plaza, a EMEB José Peres Castelhano e a escola do Senai. O prédio da estação permanece de pé.