Memória VivaSão João da Boa Vista
Expansão Narrativa v1

Perfil biográfico · Café e ferrovia

Ferrovia, café e crescimento urbano

Texto-fonte · Texto médio

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O dia do imperador O dia 22 de outubro de 1886 ficou marcado na memória da cidade. Naquele dia, o imperador D. Pedro II chegou a Campinas em trem especial da Companhia Paulista e embarcou no inaugural da Mogiana rumo ao ramal de Caldas. O itinerário incluía Poços de Caldas no dia 23 e, no dia 24, almoço em São João da Boa Vista antes de seguir para Ribeirão. Era a inauguração oficial do ramal férreo que a cidade havia esperado. e que os irmãos Rehder haviam construído com mão de obra imigrante e enormes dificuldades no terreno entre Águas da Prata e a Cascata. A plataforma da Estação de São João estava cheia naquela manhã de outubro de 1886. As crianças tinham sido dispensadas das aulas. As senhoras usavam seus melhores vestidos. A banda musical aqueceu os instrumentos. Quando o trem da Mogiana entrou na estação com o imperador Pedro II na janela. barba branca, olhar curioso, chapéu nas mãos. a multidão aplaudiu. A cidade nunca havia recebido uma visita daquele porte. E aquela visita significava: a ferrovia chegou. O isolamento acabou. A estação e o que ela trouxe A ferrovia não chegou de uma vez. A história começa mais cedo: em 27 de agosto de 1875, a Mogiana inaugurou o primeiro trecho, de Campinas a Mogi Mirim. Em 1º de janeiro de 1878, abriu o trecho de Mogi Mirim a Casa Branca. Para atender os passageiros que iam a São João e a Poços de Caldas, a Companhia construiu uma estação em terras do município de São João em 14 de janeiro de 1878. chamada inicialmente de Estação de Caldas, depois rebatizada de Engenheiro Mendes. Esse ponto ficou muito comercializado: escolas e casas de negócio se instalaram ali. Mas depois de 1886. Quando a linha principal chegou ao centro de São João, a Estação Engenheiro Mendes começou a decair rapidamente. A nova estação central foi construída no mesmo terreno da antiga em 1934–1936. O armazém, concluído em novembro de 1934, tinha 100 metros de extensão. O prédio da estação propriamente dito foi concluído em 1936 em estilo neoclássico. o mesmo que marcava os edifícios públicos das décadas de 1920 e 1930. A estação virou portal de entrada e saída da cidade por décadas: artistas, políticos, estudantes, turistas a caminho de Poços de Caldas, mercadorias, animais, cartas. tudo passava ali. A ferrovia acelerou o crescimento urbano de uma maneira que vai além do econômico. Com o trem vieram as notícias. jornais de São Paulo chegavam em horas, não em dias. Vieram os produtos. máquinas, tecidos, ferramentas, móveis que antes dependiam de tropas lentas. Vieram as pessoas. Villa-Lobos passou pela estação a caminho de Poços de Caldas e parou para se apresentar no Theatro Municipal. Guiomar Novaes chegava pela estação quando vinha se apresentar para os conterrâneos. O Theatro Municipal, inaugurado em 1914, não teria existido sem o enriquecimento que a ferrovia e o café combinados produziram. O fim da ferrovia e a memória que ficou A ferrovia foi se apagando ao longo do século XX, substituída pelas rodovias e pelos caminhões. A Estação das Artes. que hoje abriga eventos culturais, a Cidade das Artes e o pavilhão da feira. é a transformação mais visível desse legado ferroviário em espaço contemporâneo. O prédio da estação continua de pé. O ramal, não. Fontes: Prefeitura Municipal. Câmara Municipal. Mulheres de São João (estação ferroviária, inauguração de 1886). Wikipedia (Companhia Mogiana, Ramal de Caldas). imigração alemã em São Paulo.. O que ainda falta: Documentos da Companhia Mogiana no Arquivo do Estado de São Paulo. fotografias da inauguração de 1886 e da visita de D. Pedro II. horários de trem antigos. lista de linhas e estações do ramal. história oral de ferroviários.